Referências – Blade Runner

Por Deyvison Manes

Salve, galera. Colocando ordem aqui no blog, vou falar um pouco sobre as referências de Justiça Sideral. Como já puderam perceber, mesmo em poucas páginas, nossa HQ tem algumas referências bem definidas (e em certo ponto até DESCARADAS… rsrs). E dessas referências tem uma que se destaca logo de cara… E é dela que falaremos hoje.
Trata-se de Blade Runner, filme de 1982 dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford. Não pretendo fazer nenhuma análise profunda, até porque não sou muito bom nesse tipo de coisa. O lance aqui é falar sobre minha experiência com a história e como isso pode ser visto em Justiça Sideral.

Segue a sinopse, retirada da Wikipédia:

“O filme descreve um futuro em que a humanidade inicia a colonização espacial, para o que cria seres geneticamente alterados — os replicantes — utilizados em tarefas pesadas, perigosas ou degradantes nas novas colônias e fabricados pela Tyrell Corporation. Sendo divulgados como ’mais humanos que os humanos‘, as clonagens Nexus-6 são fisicamente idênticas às pessoas, mas são mais fortes e ágeis. Devido a problemas de instabilidade emocional e reduzida empatia, os replicantes são sujeitos a um desenvolvimento agressivo, por isso o seu período de vida é limitado a quatro anos. Após um motim, a presença dos replicantes na Terra é proibida, sendo criada uma força policial especial — os blade runners — para caçá-los e ’aposentá-los‘ (em outras palavras: matá-los). O filme relata como um ex-blade runner – Deckard – é obrigado a voltar à ativa para caçar um grupo de replicantes que se rebelou e veio para a Terra à procura do seu criador. Seu objetivo é aumentar o seu período de vida e escapar da morte que se aproxima. ”

Ridley Scott nos mostra desde o início um futuro onde a chuva cai a todo o momento, fruto de todo o processo de degradação que a Terra passou ao longo dos anos. Esta decadência está em cada canto, nos cenários, veículos e, principalmente, nas pessoas, sejam elas reais ou não. A opção por um clima noir também ajuda muito a transmitir esta idéia, uma vez que tudo nos traz esta sensação de que estamos perdidos no tempo, em um lugar que já teve o seu esplendor, mas que caminha a passos largos para um fim nada agradável. Mas o mérito do diretor está em não nos entregar tudo mastigado, mas mostrar indícios de todo este processo através de imagens. E nessa mistura temos a globalização visível nos elementos de culturas orientais e toda a sorte de povos misturados em um liquidificador, as mega-corporações com sua “tecnologia” tomando conta de tudo e mais uma gama de detalhes, nos quais percebemos que não estamos nada distantes daquela realidade.

Justiça Sideral pegou muito dessa proposta de uma cidade com múltiplos níveis estruturais, demarcados pelas barreiras sociais. Uma cidade cosmopolita (aqui no sentido total da palavra) e que ao longo do tempo foi absorvendo as características culturais das centenas de povos que ali habitam, resultando em um organismo vivo.

Detalhe

Além do já citado Ridley Scott, temos pelo menos mais um responsável por este marco da ficção científica nos cinemas: Syd Mead.

O artista, que na época tinha “apenas” um trabalho no cinema em seu currículo, conseguiu um grande feito. Construiu não só uma identidade artística única para Blade Runner, mas também um novo estilo visual para o filme, o que veio a ditar moda para tudo o que surgiu depois no cinema, moda, jogos eletrônicos e, claro, nas HQs. o/ Tal estilo ficou conhecido como Retro-Deco. Seus cenários e construções trazem estruturas que podem soar meramente futuristas à primeira vista, mas quando analisadas com mais atenção, possuem traços arquitetônicos do passado. Vide os prédios em formas de pirâmides, só pra citar um exemplo.

Detalhe

Aqui vemos a influência de Mead na forma dos prédios e nos spinners. Outra referência ao trabalho do artista vem de um jogo de corrida do antigo Sega Saturn, chamado Cyber Speedway. O jogo que tem visual assinado por Mead, narra um futuro onde a Terra está em conflito com um planeta chamado Kaladasia. Logo, a supremacia da galáxia não é mais decidida em guerras, mas em corridas emocionantes em hovercrafts futuristas. O jogo em si não é grande coisa, mas o trabalho de Mead segue impecável, além de que a trilha sonora era legal… rsrs

Nos vemos na próxima.